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Insider tips: Toronto

02/05/2019

Com mais da metade de seus residentes vinda de países estrangeiros, não surpreende o caráter plural da cidade, o caldeirão cosmopolita do Canadá
Por Marília Kodic. Especial para a The Traveller

 

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A capital do estado de Ontário é dona de um intenso cenário cultural e uma vibrante vida noturna, que se completam com lojas de renomadas marcas internacionais e restaurantes de alta gastronomia. Mãe e mão acolhedora de todas as tribos, a cidade autofágica transforma em identidade própria a mistura de culturas da qual se alimenta. O resultado é a rica oferta de atividades que a capital oferece. Listamos algumas insider tips para você curtir Toronto como o fazem os multifacetados locais – o que não significa, é claro, que você deva negligenciar os cartões-postais. Afinal, uma viagem a Toronto não estaria completa sem uma passada pela CN Tower, uma das mais altas torres do mundo. E, uma vez ali, o que são mais 130 quilômetros frente à oportunidade de presenciar a imponente força da natureza nas Cataratas do Niágara, não é mesmo?

 

Uma noite no museu
Rodeada de originais de Picasso, Monet e Rembrandt, em uma galeria projetada pelo arquiteto Frank Gehry, a nata hipster torontiana toma goles de cerveja, petisca canapés e bate ritmicamente os pés ao som do DJ. A excêntrica cena se repete toda primeira quinta-feira do mês em um dos maiores museus da América do Norte, o Art Gallery of Ontario. Trata-se do AGO First Thursdays, evento em que, acredite se puder, a mistura de obras de arte avaliadas em milhões de dólares e pessoas circulando livremente com álcool em suas mãos dá certo.

Toronto: moderna e cosmopolita como ela só

700 mil raridades
Provas de livro anotadas por Charles Darwin, um papiro egípcio datado de 245 a.C., uma edição de 1551 do Livro de História Natural, de Cícero, e um baú repleto de
edições notáveis de Alice no País das Maravilhas figuram entre as mais de 700 mil obras raras encontradas na Thomas Fisher Rare Book Library, biblioteca localizada dentro da Universidade de Toronto (fundada em 1827 e onde foram descobertas a insulina e as células-tronco). Aberto para visitação de segunda a sexta, o local guarda ainda manuscritos dos célebres canadenses Margaret Atwood e Leonard Cohen.

 

Pingue-pongue social clube
O ator Owen Wilson, o cantor 50 Cent e o escritor Salman Rushdie chegam a uma festa e começam a jogar tênis de mesa. O que parece o início de uma piada é, na verdade, a origem do Spin, bar dedicado ao pingue-pongue. Os amigos Jonathan Bricklin e Franck Raharinosy, que promoveram a tal festa em 2007, abriram o local dois anos depois. O espaço de mais de mil metros quadrados oferece doze mesas, dois bares, cardápio variado e música ao vivo. Ah, e gandulas, para a felicidade dos frequentadores. 

 

Direto da fonte
É seguro afirmar que o Kū-kŭm Indigenous Kitchen serve pratos que não podem ser encontrados em nenhum outro restaurante da região. Onde mais se come, por exemplo, tartare de foca? A iguaria é fruto da mente criativa do chef Joseph Shawana, que deu um toque de alta gastronomia às receitas autenticamente indígenas que aprendeu com sua avó, quando moravam na reserva Wikwemikong, em Manitoulin – ilha canadense que é a maior do mundo situada em água doce. 

Sabor premiado
Considerado pela National Geographic o melhor mercado de comidas do mundo, o St. Lawrence Market está instalado numa construção que já serviu de sede da prefeitura, prisão e salão de eventos da alta sociedade de Toronto. Aberto aos sábados, conta com mais de 120 barracas, com destaque para a Carousel Bakery, famosa por seu peameal bacon, um sanduíche feito da carne retirada das costas do porco. É um ótimo lugar para garantir um vidro de maple syrup, símbolo da gastronomia nacional, e outro de mostarda – o Canadá é o maior produtor e exportador do condimento no mundo. 

 

Joia botânica 
Por trás de uma fachada relativamente comum está o centenário Elgin and Winter Garden Theatre Centre, o último teatro de dois andares – construção típica do período eduardiano – remanescente no mundo. O prédio tem como destaque o andar superior, projetado para se assemelhar a um jardim. Paredes repletas de flores pintadas à mão, colunas disfarçadas de troncos de árvores e um impactante teto decorado com mais de 5 mil ramos naturais compõem o cenário onírico, pontilhado por lanternas. Inaugurado em 1913 como palco de exibições de cinema mudo e atos de Vaudeville, permaneceu fechado durante mais de 50 anos, mas é sede hoje de apresentações teatrais diversas, além dos principais eventos do Festival Internacional de Cinema de Toronto.

 

Só para convidados
Autointitulado “o antirrestaurante”, o Charlie’s Burgers ganhou fama em 2010, um ano após sua criação, quando foi eleito pela revista norte-americana Food and Wine Magazine um dos três melhores restaurantes “boca a boca” – ou seja, que não fazem divulgação – do mundo. Seu misterioso site permite apenas que se cadastre um e-mail e se espere por um contato. Diferentemente do que sugere o nome, são oferecidos jantares altamente elaborados – ou, no mínimo, inusitados: em 2010, tornou-se notório um em que foram servidos grilos, besouros, formigas e minhocas, entre outros insetos. Quem foi jura que estavam deliciosos.

 

Quando ir
O ano inteiro. No inverno, a cidade exibe um charme especial com atividades indoor, como seus museus, galerias de arte, vida noturna e restaurantes. Nos meses mais quentes, são as atividades ao ar livre que se destacam, criando um clima ainda mais convidativo.

Essencial
Toronto preserva muito bem parte da diversidade artística do Canadá – cheia de personalidade e palco de alguns dos mais importantes eventos culturais do país. Situada às margens do Lago Ontário, é dona de uma agitada cena artsy, que engloba museus, que abordam desde arte contemporânea e design à cultura islâmica e galerias de arte, além de eventos de música e dança.

Como ir
A Air Canada tem voos diários para Toronto a partir de São Paulo operados no moderno Boeing 767-300ER, com 24 assentos na sofisticada International Business Class – com poltronas que viram verdadeiras camas – e 187 na classe econômica. Todos os passageiros usufruem de um sistema digital de entretenimento com 80 horas de vídeo e 50 horas de áudio.

 

* Marília Kodic foi editora-chefe da revista L'Officiel e editora do Estadão. Foi também bolsista do programa Gabriel García Márquez de Jornalismo Cultural (Colômbia, 2013), e é coautora do livro Moda Ilustrada (Luste Editores, 2018). Hoje, colabora com alguns dos principais veículos do paíse trouxe dicas para aproveitar Toronto

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