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Receita de vida longa

26/03/2019

Equivocado está quem pensa que na mesa chinesa só há espaço para o arroz. Feito de soja, farinha de trigo, como nas receitas ocidentais, ou com o próprio arroz, o macarrão, ou o noodle como é conhecido, ocupa um espaço considerável na dieta de norte a sul da China
 

Por Dunia Schneider*. Especial para a The Traveller.


A discussão sobre a sua origem é ampla (e confusa!). Fala-se que o prato nasceu na Itália ou que veio dos árabes, mas boa parte dos chineses está convencida de que as massas mais antigas surgiram no Reino do Meio – como era conhecida a China em tempos antigos –, onde supostamente a civilização começou. Provas? Não existem, mas indícios, sim! Um deles é a descoberta de cientistas chineses, em 2005, de uma tigela de massa com cerca de 4 mil anos em um sítio arqueológico do norte do país. O outro é uma ode ao noodle do escritor Shu Shi, datada de 300 antes de Cristo. Bom, se poemas já sinalizavam sua existência, talvez o prato seja mais que uma invenção, um tesouro cultural. Seja como for, qualquer conversa sobre macarrão começa pelos grãos. E como lá básico mesmo era o milho, eles não sabiam bem o que fazer com o trigo que era importado – nem que virava farinha.

A técnica milenar de preparação dos noodles

Tudo mudou graças à Rota da Seda, quando os chineses descobriram os moinhos. Assim que perceberam a versatilidade da farinha, eles passaram a inventar pratos saborosos moldando a massa em macarrões de diferentes larguras e formatos. Foi aí que surgiram, segundo documentos da dinastia Song (960-1279), mais de 30 tipos. A versão puxada à mão veio da dinastia Yuan (1368-1644). Já na Antiguidade, por conta da higiene precária, o fato de ser cozido em água fervente ajudou a torná-lo um dos alimentos comuns. Hoje, entre os tipos mais conhecidos que podem ser degustados pelo país (e pelo mundo) estão o dan dan, que é originário da província de Sichuan, no sudoeste, e leva molho de pimenta; o feito com pasta de soja e molho de carne de porco moída, típico de Pequim; a versão frita, famosa em Pequim; o biang biang, mais largo e espesso, servido em Shaanxi, no noroeste; e, claro, o feito de arroz, que é encontrado a cada cem metros de qualquer lugar da cidade de Guilin, no sudoeste.

Hoje, muitos cozinheiros preparam o próprio macarrão fresco por lá. Farinha de trigo, água e, às vezes, ovo bastam para misturar a massa. Para moldar em tamanhos difrentes, usa-se máquinas semelhantes às dos italianos. Tem até versões especiais que se tornaram uma espécie de arte. O lámen, esticado diversas vezes com as mãos até virar uma massa fina e comprida, é uma delas. Fazer macarrão na China requer habilidade e velocidade para que a massa fique intacta e o macarrão separado um do outro. E quanto mais longa a massa for, melhor. Ele inclusive é chamado “Chang Shou Mian”, que significa “macarrão da longevidade” por conta de outra tradição que vem lá da dinastia Han (206 a.C. a 220 d.C.). Reza a lenda que, conversando com seus ministros, o imperador Wu, supersticioso que era, afirmou que quanto mais longo for o rosto da pessoa, mais ela viverá. Foi daí que surgiu a tradição chinesa de comemorar aniversários com um prato de macarrão. Mas outro fato nada fantasioso pode indicar que uma coisa tem a ver com a outra. A palavra para definir rosto e macarrão é a mesma: mian.

Além dos pratos famosos servidos nos restaurantes da China, a comida de rua também é uma tradição

Quando ir 
março a maio e outubro a novembro

 

Essencial
Poucos países são tão ricos em cultura, gastronomia, história e paisagens naturais como a China. E nenhum se transformou tanto em tão pouco tempo. No país de dimensões continentais, tradições milenares convivem lado a lado com os mais vibrantes e contemporâneos hábitos. Os mais autênticos sabores chineses podem ser descobertos – e apreciados – em cidades grandiosas como Pequim, Xangai ou Hong Kong, ou então em surpresas como Guangzhou, Shenzhen e Hangzhou. Todas essenciais para entender um dos legados culturais e gastronômicos que mais influenciam o planeta.

 

Onde ficar

Four Seasons Hotels & Resorts
Os serviços perfeitos, muitas vezes inovadores, e a sofisticação e a elegância das acomodações são marcantes em todos os hotéis do grupo Four Seasons. Na China não é diferente em cidades como Tianjin, Hong Kong, Shenzhen, Hangzhou, Guangzhou, Xangai, Pequim e Macau. A excelência é complementada com a gastronomia em cada um dos nove hotéis instalados no país. Por aqui, a culinária chinesa engloba uma extraordinária gama de estilos, ingredientes, sabores e pratos exclusivos, com um resultado que produziu diversas tradições na cozinha nacional. Isso é refletido em vários dos restaurantes dos hotéis, que são reconhecidos internacionalmente, como o Lung King Heen do Four Seasons Hotel Hong Kong, o primeiro restaurante chinês do mundo a receber três estrelas no Guia Michelin, ou o Zi Yat Heen do Four Seasons Hotel Macau, dono de duas estrelas Michelin e especializado na autêntica cozinha cantonesa. 

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