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Noruega: Beleza Épica

09/05/2019

Prepare-se para momentos inesquecíveis entre fiordes, cenários árticos e muita cultura.

Por Marcel Vincenti*. Especial para a The Traveller


É curioso que o quadro O Grito seja a obra de arte mais famosa da Noruega. A sensação de desespero transmitida pela pintura de Edvard Munch, afinal, não condiz em nada com o ambiente encontrado no país nórdico. Ao percorrer as ruas de Oslo, nos deparamos com um reconfortante clima de paz, gerado por uma nação que detém um dos melhores índices de qualidade de vida do mundo, onde os habitantes desfrutam de níveis de educação, segurança e saúde quase sem paralelo no planeta. A capital norueguesa é uma urbe relativamente grande, com cerca de 650 mil habitantes, mas constitui um local perfeito para ser explorado em agradáveis caminhadas. Do Parque Studenterlunden, localizado no coração da cidade (e ao lado do qual se destaca o edifício do Storting, como é chamado o Parlamento norueguês), uma agradável caminhada nos leva até o Teatro Nacional (sediado em um belo edifício do século 19 e tradicional palco de peças do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen). Não muito longe dali, estão o prédio da prefeitura de Oslo (com um monumental interior decorado com pinturas que relatam a história da Noruega) e o Centro Nobel da Paz, um museu fascinante sobre o Prêmio Nobel da Paz – o único dos prêmios cuja cerimônia de entrega é realizada anualmente na capital norueguesa -, abordando a trajetória de seus vencedores, como Dalai Lama e Nelson Mandela, e destrinchando temas que atualmente afetam o mundo, como o aquecimento global e as guerras no Oriente Médio.

A via conhecida como Stranden, que corre junto às águas que banham Oslo, é um popular ponto de encontro de jovens e famílias. Não é incomum dar de cara com grupos de todas as idades dançando no final da tarde nessa área, com a tranquilidade de quem já está com a vida ganha. Nos arredores da Stranden, estão alguns dos melhores restaurantes e bares de Oslo, dica certeira para comer e beber bem na cidade. E, se o interesse for se jogar de cabeça em atividades culturais, não faltarão opções: na Galeria Nacional, por exemplo, uma rica coleção molda a linha do tempo do mundo das artes até a chegada do expressionismo na Escandinávia, que nos leva diretamente ao quadro O Grito. Os modernos prédios da área conhecida como Barcode estão conectados em curiosa harmonia com os edifícios mais clássicos da cidade. Vistos de cima, mais parecem um “código de barras”. O trocadilho aponta uma das maiores concentrações de bares de Oslo, sempre vibrante no fim da tarde. Já o Parque Vigeland, um dos cartões-postais da cidade, é um museu a céu aberto com mais de 200 esculturas do famoso artista norueguês Gustav Vigeland, inspiradas no ciclo da vida, que impressionam os visitantes com sua expressividade – como visto na estátua chamada em inglês de Angry Boy, que mostra um bebê em engraçada posição de birra.

Outro lugar famoso de Oslo, o Museu do Barco Viking proporciona uma experiência arqueológica rara: lá estão expostas carcaças originais de embarcações vikings. Verdadeiras relíquias do século 9 descobertas entre 1867 e 1906 e muito bem preservadas. A Ópera de Oslo é uma joia arquitetônica dos anos 2000 com um desenho cheio de rampas que permitem ao público subir no topo de sua estrutura, de onde se obtém vista panorâmica privilegiada da capital norueguesa. É de lá que os prédios da “cidade dos fiordes”, a região que cresceu sobre ilhas até há pouco não habitadas, podem ser apreciadas.

Ålesund, Bergen e Tromsø
Oslo, entretanto, não é o único centro urbano que merece ser visitado na Noruega: Ålesund, por exemplo, é uma parada obrigatória. A cidade, que exibe um enorme conjunto de edifícios em estilo art noveau, aglomerados em uma faixa de terra cercada pelas águas do oceano, é um dos pontos de partida para a exploração dos fiordes da região. Suas casas e predinhos, vistos de longe, parecem de brinquedo, dada a delicadeza e o aspecto colorido de seus desenhos. Da colina de Aksla, que oferece um mirante perfeito, dá para admirar a beleza desse local em sua totalidade. Um passeio, sem rumo, entre as ruas de Ålesund revela uma cidade pacata que abriga atrativos como o Jugendstilsenteret, um museu sobre o movimento art noveau, e um dos maiores aquários de água salgada do norte da Europa, chamado Atlanterhavsparken.

Bergen, a segunda maior cidade da Noruega, proporciona um interessante agito urbano para os visitantes. Ao passear por Bryggen, com lindos edifícios coloridos do século 18, não faltam cafés ao ar livre e bares animados para uma parada. A jovem população local, composta por uma enorme comunidade de estudantes universitários, ocupa os espaços de domingo a domingo. Para ver a cidade de cima, o teleférico conhecido como Ulriken643 leva a um mirante a mais de 640 metros de altura, que fica em uma das sete montanhas que cercam a cidade. Bergen reserva ainda mais de 20 museus (como o Museu Marítimo, que aborda a história dos vikings). Nas épocas mais cálidas do ano, agradáveis praias, como Kyrkjetangen, costumam ficar bem agitadas. A água gelada não atrapalha, em nada, os banhos de sol do povo norueguês.

Para caçar as auroras boreais, que aparecem em abundância no norte do país, é preciso seguir até Tromsø, localizada acima do Círculo Polar Ártico. Cercada por montanhas e dona de um lindo cenário urbano, repleto de charmosos restaurantes, lojas e cafés, a cidade é considerada um dos melhores lugares do mundo para admirar a aurora boreal.

Os cenários naturais dos fiordes
Nenhuma viagem à Noruega estará completa sem uma visita aos cenários naturais fantásticos da nação nórdica. O mais famoso deles é o Fiorde de Geiranger, que exibe um curso d'água com quase 15 quilômetros que se estende entre montanhas verdejantes sobre as quais escorrem cachoeiras. Esse cenário épico pode ser atravessado de barco, em jornadas que partem do vilarejo de Hellesylt e vão até a lindíssima vila de Geiranger, que abriga um pequeno centro com restaurantes e hotéis-boutique. Mas há muitas outras opções de passeios que nos colocam frente a frente com monumentos incríveis da natureza. A partir de Bergen, um passeio até Trolltunga, leva a uma formação rochosa que se projeta como uma língua para fora de uma montanha, 700 metros acima do Lago Ringedalsvatnet, no sul do país. O Preikestolen, um platô rochoso suspenso mais de 600 metros acima do Fiorde Lyse (um dos mirantes mais fantásticos da Noruega), proporciona vistas inesquecíveis. Já a trilha pela área montanhosa de Romsdalseggen é considerada a mais linda de todo o país: na caminhada, os viajantes têm a chance admirar paisagens formadas pelos Picos Romsdalshorn e Vengetindene, além de verdejantes vales cortados pelo Rio Rauma.

Se a ideia é encarar o espírito aventureiro, a partir de Oygardstol, até a região do cume da Montanha Kjerag, é possível subir no Kjeragbolten, um rochedo que fica preso entre dois paredões, com vista para um precipício com quase mil metros de profundidade, bem acima do Fiorde Lyse. Muita gente não vê a hora de subir na pedra para tirar fotos que, com certeza, renderão uma enxurrada de likes no Instagram. Um voo curto leva às Ilhas Lofoten, localizadas acima do Círculo Polar Ártico, que formam um lindo arquipélago montanhoso. A região é um dos principais centros de pesca de bacalhau do planeta (é bem provável que o bacalhau que você come no Brasil venha de lá). Nas Lofoten, os vilarejos pitorescos como Svolvær, marcados pelas tradicionais casinhas vermelhas de madeira chamadas rorbuer, encantam. Independentemente da habilidade, participar da pesca do bacalhau em alto- -mar, é um dos pontos altos da viagem. Depois de fisgar o peixe, um chef cozinha o bichão nas margens de um fiorde. Com toda a certeza, será uma das melhores memórias gastronômicas da vida.

Quando ir
Para evitar o frio extremo, os meses de maio até as primeiras semanas de setembro são o período em que a temperatura é mais elevada (essa é também a melhor época para conhecer os fiordes do país). Entre maio e julho, é possível curtir, principalmente acima do Círculo Polar Ártico, o fenômeno conhecido como sol da meia-noite, quando a luz do dia dura 24 horas. Já para ver a aurora boreal é preciso visitar o país entre meados de setembro e março, quando as noites são escuras.

Em uma viagem à Noruega, é possível pensar em dois cenários distintos. Primeiro há os centros urbanos, como a capital Oslo, perfeita para ser percorrida em agradáveis caminhadas, ou cidades menores e muito atraentes como Ålesund, Bergen e Tromsø, também conhecida como a capital da aurora boreal no país. Saindo das cidades de vida cultural inspiradora, chegamos a uma Noruega ainda mais especial – à dos cenários naturais. As regiões que concentram os principais fiordes são épicas, como as paisagens dos fiordes de Geiranger e Lyse.


Como explorar
Os passeios por paisagens mais remotas do país são facilmente organizados a partir das principais cidades norueguesas. Ålesund, por exemplo, é um ponto de partida ideal para uma jornada pelo Fiorde de Geiranger. Já para ir às Ilhas Lofoten, os visitantes tomam um voo que os deixa em Svolvær.

De trem
Com mais de 3 mil quilômetros de linhas férreas, que vão de Kristiansand (ao sul) a Bodø (acima do Círculo Polar Ártico), a Noruega é um ótimo país para ser explorado de trem. A viagem ferroviária entre Oslo e Bergen é simplesmente linda.

Road trip
Para quem adora dirigir, as estradas norueguesas são excelentes e cruzam belas paisagens litorâneas e montanhosas. A rota conhecida como Atlanterhavsvegen, que conecta as vilas de Kårvåg e Bud, termina na embocadura de um fiorde e é composta por oito pontes sobre o mar, que conectam ilhas e ilhotas.


*Marcel Vincenti é jornalista de viagens há 14 anos e já visitou mais de 60 países do mundo e colaborou com diversos veículos de comunicação. A Noruega é, sem dúvidas, um dos lugares mais lindos que ele conheceu.

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