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Ilhas Virgens Britânicas: de vento em popa

30/05/2019

Polo de aluguel de veleiros no Caribe, as Ilhas Virgens Britânicas se destacam com o clima despojado, as praias idílicas e a ótima hotelaria. 

Por Felipe Mortara*. Especial para a The Traveller

 

Após vários dias zanzando pelo emaranhado de ilhas da região, Cristóvão Colombo resolveu batizar o cenográfico arquipélago. O ano era 1493 e, a partir de então, as cartas náuticas passaram a indicar o imenso e exótico conjunto de ilhas com o nome de Santa Úrsula e as Onze Mil Virgens. A partir de 1632, os holandeses foram os primeiros a colonizar e a extrair cobre por lá. Quatro décadas depois, foram expulsos pelos britânicos, que estabeleceram produtivas plantações de cana na região com escravos trazidos da África. Os ingleses ainda continuam por lá, sob o regime de território ultramarino, mas desde os anos 1960 a região virou um xodó de velejadores e de cada vez mais visitantes. Sob a égide dos ventos, é possível afirmar: hoje as Ilhas Virgens Britânicas são um destino único no Caribe.


Dias no mar velejando
Maior polo de aluguel de veleiros do Caribe, as Ilhas Virgens Britânicas – ou simplesmente BVI, na sigla em inglês – têm navegações curtas e pontos de ancoragem fáceis, bem como cantinhos magníficos e desertos. Contudo, não é preciso ser velejador experiente para embarcar num veleiro e encontrar uma ilha para chamar de sua. Cruzeiros particulares de empresas como a Moorings e a Sunsail propõem saídas customizadas com capitão e cozinheiro inclusos. Aos passageiros, basta escolher um entre os mais de 300 confortáveis catamarãs e veleiros com até cinco espaçosas suítes e regime all-inclusive opcional. 

Praias e atividades

Para além das já consagradas estadias em embarcações, as principais ilhas – Tortola, Virgin Gorda e Jost Van Dyke – dispõem de boa oferta de hospedagens. Quase não há resorts de grandes redes, mas pequenos e exclusivos hotéis-boutique, além de villas particulares, ideais para casais, famílias ou grupo de amigos. Na lista de ilhas com hotéis exclusivos, estão Scrub Island, Necker Island e Cooper Island. Aliás, muitos visitantes optam por mesclar alguns dias de estadia em terra firme com outros vivendo em aconchegantes casas flutuantes. De fato, só mesmo pingando em duas ou três paradas a cada dia dá para ter uma ideia mais apurada de tudo o que há para ver. Uma trilha fácil por entre imensos blocos de granito vai costurando um cenário de sonho em The Baths. Ponto turístico mais famoso de Virgin Gorda, recebeu esse nome por ser aonde escravos eram levados para se banhar. Caminhar até o fim da trilha traz como recompensa a pequenina praia de Devil’s Bay, já aclamada como uma das mais belas do mundo e ótima para aventurar-se de caiaque ou stand-up paddle. 

 

Mergulho e gastronomia
Outra unanimidade é o que vibra sob as águas. Poucos lugares no planeta concentram tantos naufrágios e pontos de mergulho excelentes. Em 1867, o navio RMS Rhone afundou em Salt Island e o legado hoje é um jardim deslumbrante de corais coloridos que cresceram sobre as ferragens, repletos de peixes e tubarões. Além disso, praticantes de snorkelling se divertem nos majestosos jardins de gorgônias de Diamond Reef e nas intrigantes grutas de Norman Caves A rotina de desembarques e navegações é sempre entremeada com excelentes drinques e boa gastronomia internacional. Em Road Town, o Pusser’s é um bar clássico com ares de pub há mais de 40 anos. Por outro lado, em Virgin Gorda, o CocoMaya mescla toques mexicanos e asiáticos com uma vista absurda do pôr do sol. Perto dali, o Foxy’s tem uma descontração singular com rastafáris tocando reggae e a festa de réveillon mais disputada da região.

Nos anos 1970, para alcançar o Soggy Dollar Bar, os veleiros ancoravam próximos à Praia de White Bay e os visitantes nadavam até a areia, pendurando suas notas encharcadas para secar num varal. Foi ali que nasceu o Painkiller, drinque-símbolo do arquipélago, feito com rum, sucos de laranja e de abacaxi, água de coco e noz moscada. Aquele mar, aquele drinque, aquelas pessoas – uma síntese de todo o espírito da Ilhas Virgens Britânicas. 

Quando ir
A temporada caribenha começa em novembro e segue até julho. No Caribe, o sol brilha o ano inteiro, mas essa é a época onde as
chuvas são menos frequentes e o mar é pouco agitado.

 

Onde ficar

The Moorings Yacht
A The Moorings Yacht incorpora em sua frota embarcações perfeitas para todos os perfis: aos que não têm experiência em navegação, é possível conhecer um pouco em um cruzeiro exclusivo para aprendizado; aos que já têm alguma vivência nos mares, há a chance de ser o próprio capitão do seu barco. Em todas as jornadas, serviços personalizados, gastronomia, equipamentos para atividades aquáticas e roteiros superespeciais.

Oil Nut Bay
É na ponta leste de Virgin Gorda, de frente para as águas azuis-turquesa do Caribe que se encontra o Oil Nut Bay. O resort apresenta design elegante e moderno, e dispõe de confortáveis suítes e villas. Algumas acomodações possuem terraço e piscina privativos, além de belas vistas para o mar.

Guana Island
Uma das menos exploradas das Ilhas Virgens Britânicas, o Guana Island é uma ilha particular com lindas praias de areia branca emolduradas por cenários de exuberante vegetação tropical, montanhas e vales. O pequeno resort conta com apenas 18 villas, algumas com vistas para o oceano e outras para as montanhas. 

 

* Felipe Mortara é colaborador da The Traveller e autor dos textos do livro Teresa Perez EPIC. O jornalista é, também, mestre em Administração pela PUC-SP e repórter do caderno Viagem do jornal O Estado de S. Paulo. 

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