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Esqui: de norte a sul da cordilheira

04/07/2019

Por Felipe Mortara*. Especial para a The Traveller

Crescemos passando as férias de fim de ano no litoral. Sim, verão é tempo de praia, calor e pouca roupa. Por outro lado, a cada vez que as temperaturas baixam por aqui, mais e mais brasileiros incorporam a ideia de que inverno é tempo de descer montanha. Desnecessário explicar que com a carência de estações de esqui no Brasil, os olhares se voltam à Cordilheira dos Andes, do Chile à Argentina. Encontre seu lugar para trocar, pelo menos por alguns dias, a areia pela neve. De norte a sul, que comece a temporada de inverno!

Portillo
É quase impossível iniciar essa jornada sem partir de Portillo, 147 quilômetros a nordeste de Santiago. Também seria o ponto de referência se o assunto fosse tradição, afinal a mais antiga estação chilena completa 70 anos nesta temporada. Diante da esplêndida beleza da Laguna del Inca, deslize por pistas quase vazias e lifts sem filas – os esquiadores ao redor são apenas os hóspedes do único hotel e lodge disponíveis. Para esta temporada está sendo instalado um potente sistema de fabricação de neve ao custo de US$ 3,5 milhões e também será concluída a renovação da decoração dos apartamentos. 

Valle Nevado
A apenas 1 hora e meia do aeroporto de Santiago, Valle Nevado é a estação mais movimentada e com a maior área esquiável do Chile. Entre as 40 pistas do complexo, há um punhado de opções para atletas de inverno de todos os níveis. A prova dessas possibilidades começa por seus 17 meios de elevação. O destaque é La Góndola, primeiro teleférico de cabine fechada da região e indicado para todo tipo de visitante. As saborosas opções gastronômicas vão de delícias da Itália até uma sofisticada casa francesa – e ao longo da temporada há semanas temáticas de culinária e vinho. O horizonte extasiante a 3 mil metros de altitude completa um ambiente perfeito para aprender a deslizar, relaxar ou para apenas ter um primeiro contato com a neve.

Chillán
Mais ao sul, a estação de Nevados de Chillán fica a 2 horas e meia do aeroporto de Concepción, a 50 minutos de voo desde Santiago. Com charme particular, conta com 28 pistas em meio a um lindo bosque, sendo 40% delas de nível intermediário. Já o Gran Hotel Termas de Chillan inaugura nesta temporada uma reforma com novo restaurante, espaço de entretenimento, kids club e áreas de aluguel de esqui. Mais abaixo, aos pés do Vulcão Villarrica, a pequenina estação de Pucón é um destino mais romântico e de contemplação, porém menos indicado para esquiadores empolgados.

Corralco
Em plena Reserva Nacional Malalcahuello, a 1 hora de Temuco, a estação de Corralco começa a ser descoberta pelos brasileiros, com um aumento
de 15% na temporada de 2018 em relação à anterior. Motivos não faltam nos 25 quilômetros de encosta esquiáveis do Vulcão Lonquimay e no portentoso bosque com araucárias centenárias. Este ano, inauguram mais um meio de elevação. Ali está o confortável Corralco Resort de Montaña com 54 apartamentos bem decorados e acesso direto às pistas. No fim do dia, você guarda seu esqui e cai direto nas piscinas interna ou externa.

Do lado de lá

Las Leñas
Quem pensa que esquiar (ou "snowbordear") é esporte de chileno nunca testemunhou a paixão dos argentinos pelas montanhas. E esse gosto pelo inverno parece ter nos inspirado, pois não raro a Argentina é o primeiro destino de neve dos brasileiros. Desça de norte a sul pelas suas principais estações na Cordilheira.
A 4 horas de transfer do aeroporto de Mendoza, a estação de Las Leñas é ideal para famílias com crianças. Como há poucas opções de atividades além do esqui, o foco é em quem realmente quer deslizar pelas montanhas. E sim, claro, sempre dá para incluir – na ida ou na volta – um pernoite numa vinícola bacana para os adultos.

Bariloche
Ninguém pode negar que San Carlos de Bariloche é a grande queridinha dos brasileiros. Entre janeiro e dezembro do ano passado, a cidade recebeu 45 mil visitantes do Brasil, um aumento de 15% sobre 2017. Os mais de 120 quilômetros de pistas fazem do Cerro Catedral a maior estação da América Latina. Há descidas para todos os níveis e, apesar das multidões, dá para treinar bastante. A estação fica a 20 quilômetros do centrinho de Bariloche (ninguém fala o “San Carlos”), onde se concentra a maior infraestrutura de restaurantes, cervejarias, chocolaterias, museus e shopping. Além desta, nos arredores de Bariloche outras duas estações são dignas de nota, Cerro Bayo e Chapelco. A primeira, em Villa La Angostura, a 1 hora e meia de distância, tem 31 pistas e muito menos gente. Já a segunda fica em San Martín de Los Andes, a 180 quilômetros de Bariloche, passando pela linda Ruta de Los Siete Lagos e conta com ótima infraestrutura para apaixonados por esqui.

Ushuaia
Por fim, o tour termina em Ushuaia, no extremo sul do continente – e bota sul nisso. A estação de esqui mais austral da América, Cerro Castor não precisa da altitude para manter a ótima qualidade de sua neve. São 34 pistas para todos os níveis de esquiadores e aprendizes, com direito a emocionantes pistas pretas e vermelhas, as mais desafiadoras, além de rotas simples para iniciantes e intermediários. Enfim, você só precisa escolher sua montanha para este inverno, de Portillo até o Fim do Mundo, como é conhecida a cidade de Ushuaia.

* Felipe Mortara é autor dos textos do livro Teresa Perez EPIC e, além de jornalista, é mestre em Administração pela PUC-SP e repórter do caderno Viagem do jornal O Estado de S.Paulo. 

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