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Colônia contemporânea

13/02/2019

A quarta maior cidade da Alemanha se orgulha de abrigar a atração turística mais visitada do país, a imponente igreja neogótica na margem do Reno. Para os amantes de arquitetura, este é só o começo . 

Por Marianne Wenzel. Especial para a The Traveller

Quem visita Colônia pode contar com duas certezas. Tomará a cerveja clara, suave e refrescante conhecida como Kölsch e terá como ponto de partida para qualquer passeio o Dom – a catedral que, entre idas e vindas, levou 638 anos para ficar pronta. Inaugurada em 1880, tornou-se símbolo do estado-nação recém-unificado pelo primeiro-ministro prussiano Otto von Bismarck, e de certa forma segue representando o país no imaginário coletivo: visitada por cerca de 6 milhões de pessoas anualmente, é a maior atração turística da Alemanha.

O Dom coleciona superlativos além do tempo de obra e da popularidade. Um dos mais impressionantes são seus vitrais, cuja área soma 10 mil metros quadrados. Uma prova de que Colônia não pretende parar no tempo nem viver de glórias passadas é seu vitral mais recente, concluído em 2007 pelo cultuado artista alemão Gerhard Richter: uma composição abstrata, mosaico das 72 cores mais presentes nos demais. Um sopro de contemporaneidade na histórica catedral, mostrado com orgulho pelos profissionais que conduzem as visitas guiadas. 

Às margens do rio Reno, a Catedral de Colônia é uma das atrações mais visitadas da Alemanha

Colônia sempre soube se reinventar, especialmente em dois momentos: depois da Segunda Guerra Mundial, quando se pôs a reconstruir os 95% da cidade reduzidos a escombros, e na virada para o século 21, época de grandes projetos e revitalizações urbanas às margens do Reno. A primeira fase colecionou obras marcantes da arquitetura alemã dos anos 50, como a Capela Kolumba, de Gottfried Böhm, erguida em meio às ruínas da antiga igreja românica Sankt Kolumba, mantidas a céu aberto. Da segunda, no mesmo local, consta um dos mais belos projetos já realizados pelo premiado arquiteto suíço Peter Zumthor, uma intervenção a um só tempo sóbria e delicada que toma as paredes remanescentes de Sankt Kolumba como base para conformar a construção contemporânea usada para proteger as antigas ruínas e guardar a coleção de arte do Arcebispadode Colônia.

Na visita ao térreo do museu, é possível identificar esses três momentos históricos: as ruínas românicas, a capela dos anos 50 e a intervenção mais recente. Os efeitos provocados pela entrada de luz natural através dos orifícios ritmados na parede de concreto são um deleite à parte.

O trio de prédios conhecido como casas-guindaste convive com velhos armazéns recuperados no bairro Rheinauhafen

Em 2009, um ano depois de terminada a obra de Zumthor, a cidade finalizava seu mais novo bairro, Rheinauhafen, antigo porto urbano convertido em zona mista de prédios residenciais e comerciais, com lojas, restaurantes e espaços públicos de lazer ao longo da margem do Reno (na esteira do que Buenos Aires já havia feito anos antes com Puerto Madero). Ícone dessa região é o trio de prédios conhecido como Kranhäuser, ou casas-guindaste, alusão ao formato que lembra o de gruas portuárias. Além dos prédiosnovos, muitos edifícios antigos  foram saneados, como o armazém de cereais hoje conhecido como Silo 23, cujo térreo é ocupado pelo restaurante austríaco Joseph’s, comandado pelo chef Sascha Kossmann (ex-El Bulli, de Ferran Adrià). Na parte de trás – ou da frente, dependendo do ponto de vista –, o restaurante se abre para um terraço às margens do rio.

Caminhar por ali em direção ao centro, mesmo em dias úteis, dá a dimensão de como a população aproveita esse parque linear. De bicicleta, de patins, de skate, correndo com o cachorro... no caminho, bancos de madeira oferecem descanso ou se colocam como alternativa para quem gosta de malhar. Por meio de QR codes, é possível acessar séries de exercícios que usam o mobiliário urbano como acessório.

Os que andarem até a ponte de pedestres Hohenzollernbrücke (a mesma que aparece sempre na clássica foto de cartão-postal de Colônia, com as duas torres do Dom ao fundo) podem cruzar o rio e conhecer a margem oposta, onde outra promenade oferece lindos panoramas da cidade velha e de Rheinauhafen. No caminho, milhares de cadeados presos à estrutura da ponte simbolizam o amor de quem já passou por ali. Pode ter certeza, você também vai se apaixonaracessar séries de exercícios que usam o mobiliário urbano como acessório.  No caminho, milhares de cadeados presos à estrutura da ponte simbolizam o amor de quem já passou por ali. Pode ter certeza, você também vai se apaixonar. 

Colado à catedral, o Museu Ludwig – projeto do escritório alemão Busmann+Haberer – foi inaugurado em 1976 para abrigar uma das maiores coleções particulares da Europa

Quando ir
Abril a outubro, e dezembro

 

Essencial
Fundada pelos romanos, Colônia (Köln) é uma das cidades mais antigas da Alemanha. Construída às margens do Rio Reno, ela é um verdadeiro retorno ao passado, impecavelmente conservada e dona de importante centro cultural que reúne 13 igrejas românticas, das quais a principal é a Catedral de Colônia. Colônia é um exemplo de que é possível renascer das cinzas. Completamente destruída ao fim da Segunda Guerra Mundial, é hoje uma moderna metrópole cercada por históricos castelos medievais, vinhedos e pitorescas vilas germânicas.

 

Onde ficar
Excelsior Hotel Ernst
Localizado em frente à Catedral de Colônia, o Excelsior Hotel Ernst é o mais conhecido e sofisticado hotel da região, um marco da cidade desde sua inauguração, em 1863. O tradicional e o contemporâneo misturam-se em seus quartos e suítes, cada qual com decoração única. Na gastronomia, o restaurante Hanse Stube tem cardápio focado na culinária francesa com influências internacionais e o Taku apresenta as tendências e os pratos típicos da Ásia.

 

* Marienne Wenzel. Jornalista especializada em arquitetura e cidades, escreve sobre esses assuntos para publicações como Arquitetura & Construção, Veja, Veja São Paulo e Casa Vogue. Sempre que viaja, não consegue deixar de reparar na qualidade dos prédios e espaços públicos

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